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23 de Outubro de 2017

Caindo na realidade em 3, 2, 1... dias.

O embate pelo poder está marcado para este domingo, às 14 horas, em Brasília. Antes, apenas uma possibilidade. Agora, uma realidade. O que este impeachment pode significar para o povo brasileiro?

Murilo Wya Almeida, Estudante
Publicado por Murilo Wya Almeida
há 2 anos

(Os Operários, quadro de Tarsila do Amaral).

Aquele mesmo povo em que a Constituição Federal de 1988 consagrou como fonte originária de onde emana todo poder da República, nós, brasileiros. Esse povo que foi tão bem retratado em obras memoráveis de sociólogos importantes, como Darcy Ribeiro e Florestan Fernandes e que, ao longo de toda sua existência – desde o período colonial – tem sido sistematicamente enganado por meio de corrupção envolvendo agentes públicos e também privados. Mas será que alguém já parou para refletir em como o brasileiro lida com o exercício de seus direitos políticos? Com seriedade ou desdém? Com cautela, militância ou ingenuidade?

Vejamos o que ocorreu no final das duas últimas legislaturas. Lembremos bem como era composto o Congresso brasileiro – com a entrada de “ícones” políticos e a manutenção de tantos outros políticos iníquos, sobretudo a partir de 2010. Lembre-se também daqueles artistas, esportistas e pastores (bispos, missionários e líderes de igrejas). Todavia, o PT manteve-se na atual figura da Sra. Dilma Rousselff e no tempo integral do correspondente mandato de chefe do Poder Executivo Federal (2010-2014). Eis que a legislatura se encerra e acontecem as Eleições de 2014. Eis que reside aqui o grande erro do povo brasileiro: elegeu-se o Congresso mais conservador desde 1964 com direito a muitos gêneros de bolsonaros e bancadas poderosas. Digo que foi um erro porque o Executivo se manteve e tentou ajustar os trilhos da economia brasileira diante do péssimo panorama mundial. O que mudou substancialmente no âmbito da União foi o Poder Legislativo, além da continuação da expansão PMdeBis (ta) pelo país. Estes estavam do lado do governo que no decorrer da “era” se acomodou achando que o apoio duraria enquanto o PT durasse. Com o fim do dito apoio e o Congresso alterado para uma composição mais conservadora (e chantagista?) em relação aos diálogos com o Executivo, este perdeu a sustentação política e ficou com a guarda baixa; o golpe agora está a caminho.


A esta altura devo dizer que não sou da esquerda e nem da direita, tampouco possuo afinidades ideológicas com qualquer lado. Minhas convicções políticas transpassam esta espécie de reducionismo político de quem apenas enxerga política posicionando-se à esquerda ou à direita. Prefiro dizer que tenho uma visão holística da política e, dentro do contexto brasileiro, me defino como apartidário; ainda que alguns pensem que isto seja ficar em cima do muro (de Berlim ou de Brasília?). Mas é porque aqui no Brasil é assim mesmo, somos forçados a ficar assistindo. Participar quase sempre exige casta, além de ser muito imatura e não atender meus propósitos profissionais futuros...


Por sua vez, o que assistimos diariamente na TV é a manifestação deplorável das condutas de agentes que possuem o poder na vida real. Trata-se do destino de uma gigantesca nação e que alguns pensam que não lhes causará nenhuma consequência grave; mas que prevejo confusão, desconfiança e revolta de muitos brasileiros a partir do resultado. Estas pessoas que fazem da democracia apenas um jogo pelo poder e estão acostumados a jogarem este mesmo jogo político há tempos, esquecem de que do lado de fora do Congresso há uma população ávida de “Ordem e Progresso” - e mais um punhado de direitos. Será mesmo que a reviravolta ocorrida desde a abarrotada ascensão do PT ao poder (em todos os âmbitos políticos e entes federados) tenha causado incômodo a estes velhos jogadores? Ora, que 20 anos eles não aguentariam, todos nós já sabíamos. Mas querer tomar o poder agora é muita pressa, não é mesmo senhores?

(Disponível em folhadetucuruí. Blogspot. Com)

O poder pertence ao povo e a Constituição Federal merece ser respeitada. Não é meu interesse neste texto retomar todo o debate acerca dos fundamentos do processo de impeachment e todas suas peculiaridades. Até mesmo porque muitos outros juristas bem mais experientes já fizeram tais elucidações. Este texto tem outro propósito. É bem objetivo e parte da presunção de que todos aqui somos pessoas com entendimento jurídico médio e, portanto, sabemos quem está com a Justiça neste embate e o porquê. Se a imparcialidade não funcionar na reflexão, recorra aos livros de história, documentos e relatórios das finanças públicas. Todos deveriam saber que o pedido de impeachment valeria para dezenas (se não centenas) de outros chefes do executivo Brasil a fora pelos mesmos motivos da Presidente da República, bem como por tantos outros motivos que configurariam certamente crimes de responsabilidades. Quanto à corrupção no PT, trata-se de uma corrupção generalizada e sistemática, que ocorre (u) em quase todos os partidos da República. Veja o que o Professor LFG fala sobre Cleptocracia. É verdade. Punam, portanto, TODOS os corruptos, senhores, cada qual pelo crime cometido. Mas derrubar uma Presidente da República sem nenhum fundamento verdadeiramente compatível com a Justiça e o nosso ordenamento jurídico, isto sim configura um crime. De lesa pátria, alguns diriam.

Acertadamente, “o erro do povo brasileiro” não seria um motivo capaz de explicar tudo, mas creio que tenha sido a maior fragilidade política do PT e dos partidos de sua base. Deu espaço suficiente para as velhas e outras novas alianças políticas atacarem. Pelo menos em minha análise, um ataque covarde para com a imagem de Dilma Rousselff (e da mulher brasileira), além de imprudente com a democracia e desrespeitoso para com a nossa Constituição Cidadã. Imagine ainda a exposição negligente e desnecessária daqueles que irão participar deste momento histórico, lá em Brasília, neste domingo. Não me espantaria se soubéssemos na segunda-feira que, além do impeachment, o Brasil ganhara mais 9 corpos para manchar ainda mais a sua história. A cargo de quem? Da nossa política (ou politicagem)? Da democracia? Do mesmo povo que elegeu estes representantes?

(Foto de Roberto Stuckert Filho/PR)

Óbvio que não estou desejando que isto ocorra. Sempre é necessário fazer este tipo de lembrete aqui para não ser condenado a nenhum juízo valorativo pelo mesmo povo que está acostumado a assistir o Jornal Nacional e moldar toda sua opinião política a partir desta fonte. Não desejo que nenhum tipo de violência ocorra lá em Brasília neste domingo, e que as pessoas não confundam a esplanada dos Ministérios com os estádios de futebol. Espero mesmo que eles exerçam sua cidadania e seus direitos políticos da maneira mais saudável e proveitosa possível. Inclusive, penso que alguma organização pudesse promover um participativo debate entre os dois lados. Nossa democracia ganharia bastante diante desta realidade de crise política que estamos vendo desenrolar-se.

Por fim, não arrisco dizer um palpite sobre esse placar. Mas não poderia deixar de mencionar as manchetes que tenho visto nas últimas horas desta quinta-feira em todas as fontes possíveis: se contradizem. Isso já era óbvio. Cada qual especulando em favor de si mesma e contribuindo para as precipitadas formações de opiniões acerca do cenário político. Da mesma forma que o Jornal Nacional provavelmente dirá que este impeachment já está certo e passará tranquilamente. Por isso mesmo que tenho feito o seguinte, senhores: assisto o Jornal Nacional e o Repórter Brasil (TV BRASIL) logo em seguida. Assim fico informado pelos dois lados. Isso para não falar dos blogs, jornais, revistas, newsletter e etc, cada qual com suas “metodologias” e parcialidades. Afinal, se nem o Judiciário neste país consegue respeitar a imparcialidade, qual a lógica de exigir isto da imprensa, não é mesmo?

(Foto de Paulo Nogueira)

Mas esse aí já é outro papo.

3 Comentários

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Eu não consigo descrever o volume abissal de erros e imprecações contra a realidade elementar aqui contidos.

Apenas me resumo a dar graças aos céus pelo Congresso que temos, apto a conter os desvarios do Poder Executivo, quando revela-se irresponsável, perdulário, irracional, e quando incorre em fraudes e ilicitudes. Que, longe de ser uma massa inerte e servil, amortece as insanidades da Corte Reinante, mesmo não sendo capaz de evitar os seus efeitos.

Assim, graças à Versalhes dos Trópicos, o Brasil atravessa uma desoladora crise econômica, resultante das demências desenvolvimentistas (conhecidas como a "Nova Matriz Econômica") que o Executivo enfiou goela abaixo da administração, e, quando pôde, tratou de contornar a necessidade de aprovação pelo Legislativo; e resultante da perda de confiabilidade do mercado, oriunda da observação - óbvia - de que a presente administração porta-se como um bando de loucos incendiários, quando se trata da política econômica.

Por fim, para não me alongar, afirmo que o articulista não é nem de esquerda nem de direita, apenas um analfabeto econômico. continuar lendo

Excelente e lúcido texto. Penso que precisamos de uma reforma política já para extirpar os verdadeiros carrapatos do poder que são os deputados e senadores que se reelegem infinitamente. continuar lendo

Exatamente, Dáfani Reategui. Ser parlamentar no Brasil tornou-se profissão. continuar lendo