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22 de Agosto de 2017

A derrocada do PT

Chegando ao fundo do poço: Parte I

Murilo Wya Almeida, Estudante
Publicado por Murilo Wya Almeida
há 9 meses

Em tempos de transformações políticas a nível global, o Brasil vem dando um show nos últimos anos. A operação lava – jato e o impeachment de Dilma Rousseff tem provocado agitações no cenário político do país, envolvendo também uma parte da população até então acostumada a ficar apática em semelhantes acontecimentos. O que não significa, todavia, que estejamos diante de um progresso na consciência política do nosso povo, haja vista o Congresso escolhido nas últimas eleições para deputados federais e senadores.

No cerne destes acontecimentos encontra-se o Partido dos Trabalhadores, tão fortemente abalado pelas recentes escolhas nas urnas e pelas investigações conduzidas pela Polícia Federal junto ao Poder Judiciário e ao Ministério Público. Há quem fale em partidarismo, e há quem, com lucidez, enxergue apenas o desdobramento da máxima “mentira tem perna curta”. E o PT mentiu. E mente até hoje, só que para sobreviver ao cenário político e para mobilizar as massas na tentativa de obter algum apoio de reverter “o golpe”.

Conforme mensagem circulada em redes sociais, as manifestações deste 11 de novembro fariam com que a cidade amanhecesse parada. Ao menos em Salvador, na Bahia, de fato, foi isto que aconteceu. Um congestionamento quilométrico, com dezenas de ônibus enfileirados e centenas de carros com condutores apressados em trabalhar: todos parados por apenas algumas dezenas de manifestantes, vestidos de vermelho e empunhando suas bandeiras de militância no principal cruzamento do Iguatemi. Disseram ainda nesta mensagem, que haveria centenas de manifestações, piquetes e “tranca rua” (seria a própria entidade?) em todos os bairros da cidade. Isso mesmo! Em todos os bairros da cidade. Disseram que nas manifestações haveria o apoio dos rodoviários, petroquímicos, vigilantes, professores, bancários e até mesmo dos policiais, manifestando-se contra Temer e uma tal PEC “da morte”, que acabaria com todos os direitos trabalhistas, como férias, direito à aposentadoria e etc. Por fim, recomendaram a população a não sair de casa, a fim de que se evitasse transtornos.

Fiquei pensando em quem divulgou a mensagem e nas mentes pensantes do partido. Não quero discutir o mérito da PEC 55, muito embora concorde com diversos pontos de seu texto. Prefiro debruçar-me nas ações tomadas pelo Partido dos Trabalhadores ao longo desses anos, o qual possui uma história que fascina e uma ascensão digna de roteiro cinematográfico, mas que vem numa derrocada avassaladora que culminará com a pulverização de muitos militantes, se não, até mesmo, o seu ostracismo político. Manifestações que defendem mais a permanência dos direitos das classes C e B do que uma justa distribuição de renda que beneficie as classes D e E. Uma militância de fraco conteúdo intelectual e político, pouco conhecedora dos principais entraves econômicos do país e da dificuldade de reinventarmos o povo brasileiro, primando pela sua (re) educação e cultura. Confundem facilmente liberdade com libertinagem social. Não enxergam o caos instalado no consciente coletivo e, por meio de sucessivas frustradas tentativas, convocam manifestações que não representam sequer 10% da população.

Mas o PT não está morto, tampouco deverá morrer nas próximas décadas. Deve sim se reerguer, aproximando-se das massas e conscientizando-as sem manipulá-las, isto é, sem tocar o terror dizendo que haverá o fim de direitos trabalhistas e coisas do tipo, como se Temer fosse um déspota ensandecido e não tivéssemos um Judiciário vigilante na afronta dos direitos fundamentais. É necessário lutar pela educação das camadas mais baixas da pirâmide social, instrumentalizando-as com conhecimento e capacidade de reflexão, a fim de alcançarem uma maturidade política suficiente para conseguirem escolher os melhores governantes e legisladores do modelo federativo, por meio de uma real democracia.

Não sou porta voz da direita ou da esquerda, mas nutro um intenso desejo pela maturidade política do povo brasileiro. Sei que é difícil não cair em mentiras, joguinhos, promessas, sofismas e boatos que refletem a grande parcela dos nossos muitos políticos (e militantes). No entanto, a democracia consciente é o melhor caminho para a transformação social e econômica do Brasil, algo que passa longe da atual cegueira proporcionada pela falta de conhecimento político e pela crença em fórmulas publicitárias para elegermos os nossos representantes. Sendo assim, não mais subsistirão falácias como a deste 11 de novembro, as quais não encontram recepção no povo, ávido por verdade, justiça e igualdade.

Falarão com esse texto que eu sou coxinha, mas eu gosto mesmo é de castanha de caju. (Rsrs).

1 Comentário

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Mas o problema é que o PT e a esquerda se limita a isso: joguinhos de terrorismo psicológico.

É o famoso "se fui eu que fiz é bom, se foi outro é ruim".

O PT não assinou a CF/88, pregou o terror ao Plano Real (quem tem 40 anos ou mais sabe bem o que era o período da super inflação e da desvalorização e troca de moeda) etc.

Aliás, condenou a todos por não terem feito a reforma agrária, mas advinha ... também não fez. Sempre serviu de porta-voz de greves, principalmente o falastrão máximo Lula, mas advinha ... não fez a lei que regula o direito de greve do servidor público.

O problema é esse ... vivem querendo quebrar tudo como na época da ditadura, só se esquecem que a sociedade não vive mais oprimida por militares ... militantes que funcionam como papagaios pregando o que não entendem, destruindo patrimônio público e privado, invadindo, queimando pneus ... a cada dia a sociedade está mais farta deles. Vivem dando tiro no próprio pé.

A esquerda e o PT têm o que merecem !!! continuar lendo